Papa pede que colombianos fujam da ‘tentação de vingança’

O Papa convocou os colombianos a “fugir de toda tentação de vingança” nesse momento em que tentam deixar para trás o último conflito armado da América Latina. Francisco chegou em Bogotá na quarta-feira e ficará no país por quatro dias.

– Que esse esforço nos faça fugir de toda tentação de vingança e buscar somente de interesses particulares e a curto prazo – afirmou em seu primeiro discurso.

Em sua chegada à capital colombiana, o Papa foi recebido por cerca de 700 mil pessoas que o saudaram durante o percurso. O Sumo Pontífice encontra um país dividido em relação ao acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Durante a visita, o Papa percorrerá quatro cidades colombianas: Bogotá, Villavicenzio, Medelín e Cartagena. As informações são de O Globo.

– Quanto mais difícil é o caminho que conduz à paz e ao entendimento, mais empenho devemos ter em reconhecer ao outro, em sanar as feridas e construir pontes, em estreitar laços e ajudar-nos mutuamente – disse a autoridades políticas e religiosas na Casa de Nariño, sede da Presidência colombiana.

O chefe do Vaticano centrou a mensagem de sua primeira visita a Colômbia na reconciliação após o acordo de paz assinado pelo Governo e as Farc, apoiado pelo Vaticano. A viagem acontece em um contexto no qual avançam as negociações para um tratado semelhante entre o estado e o Exército de Liberação Nacional (ELN), última guerrilha ativa no país.

Antes de se encontrar com o presidente Juan Manuel Santos, o Papa leu um trecho de “Cem anos de solidão”, romance do escritor Gabriel García Márquez, e recordou aos colombianos que ” a solidão de estar sempre brigados já se conta por décadas e cheira a cem anos”.

– Quis vir até aqui para dizer a vocês que não estão sozinhos, que somos muitos os que queremos acompanhá-los nesse passo. Essa viagem quer ser um incentivo para vocês, um apoio que de alguma maneira abre caminho à reconciliação e à paz – disse.

Além das guerrilhas, a Colômbia enfrentou internamente conflitos de agentes estatais, traficantes e milícias, deixando mais de sete milhões de vítimas entre mortos, deslocados e desaparecidos.

O primeiro Papa latino-americano defendeu ainda leis justas que ajudem a superar os conflitos que “derrubaram o país”.

– Nesta perspectiva, animo vocês a voltarem os olhos para todos aqueles que hoje são excluídos e marginalizados pela sociedade, aqueles que não contam para maioria e são adiados, encurralados- defendeu.

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