‘Não se pode ver racismo em tudo’, diz candidato à presidência Flávio Rocha

Embora a principal bandeira do pré-candidato à presidência Flávio Rocha seja a defesa do livre mercado – a quem ele atribui “sabedoria suprema” – o empresário acredita que é a postura conservadora “em relação aos costumes” que ganhará a eleição em 2018.

Dono do Grupo Guararapes, que controla empresas como a gigante do varejo Riachuelo, Rocha afirma que difere de candidatos liberais como João Amoêdo, por ter “coragem” de entrar no campo dos costumes, um tema “totalmente ignorado pela covardia da classe política brasileira”. Mas diz estar longe de nomes conservadores como Jair Bolsonaro por ter “apreço à democracia”.

“Ser conservador não é ser moralista”, diz Rocha em entrevista concedida em sua mansão no Jardim América, em São Paulo.

O candidato do PRB se posiciona contra a descriminalização do aborto, contra o desarmamento, à favor da redução da maioridade penal e contra cotas raciais.

Diz também que “não se pode ver racismo em tudo”, embora admita a existência do racismo no país por parte de “uma minoria ignorante”.

Nascido no Recife e criado católico no Rio Grande do Norte, ele se tornou evangélico por influência da mulher, Anna Cláudia, com quem tem três filhos.

Com 1% de intenção de voto da última pesquisa Datafolha, o empresário está bancando a própria campanha, que, segundo ele, não saiu cara até agora. Ele ainda não sabe dizer o quanto deverá gastar.

Não é a primeira vez que ele tenta ser presidente. Já havia lançado uma pré-candidatura aos 36 anos, em 1994, para vê-la enterrada pelo seu partido da época (o PL) em favor do apoio a Fernando Henrique Cardoso – e em meio a controvérsias sobre financiamento eleitoral.

Ele voltou aos holofotes entre 2015 e 2016, quando se tornou um dos principais empresários a defender ativamente o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Se aproximou do MBL (Movimento Brasil Livre) e apoiou a candidatura de João Doria à prefeitura de São Paulo. Em janeiro deste ano – dois meses antes de se filiar ao PRB e anunciar sua pré-candidatura à Presidência – começou a percorrer o país para lançar o manifesto Brasil 200, que prega “liberalismo econômico e conservadorismo nos costumes”.

À BBC Brasil, Rocha defendeu a gestão privada de serviços públicos e disse que o livre mercado é o “antídoto natural contra a corrupção”.

Ele falou também sobre a ação de R$ 37,7 milhões do Ministério Público do Trabalho contra o grupo Guararapes, de sua família (controladora da Riachuelo e de outras empresas). O processo foi aberto após uma investigação do MPT apontar irregularidades em empresas do programa Pró-Sertão, uma iniciativa do governo do Rio Grande do Norte que levou a Riachuelo a contratar oficinas de costura para produzir seus produtos.

O Ministério Público afirma que os empregados recebiam menos e tinham menos direitos que os empregados contratados diretamente pela Guararapes em Natal – acusações que Rocha nega.

Após xingar a procuradora que entrou com a ação, o empresário passou a responder também a um processo por injúria e difamação. “Estava fazendo meu papel de desabafar.”

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