Acesso à universidade é menor para alunos da rede pública

As maiores proporções no nível superior eram compostas por alunos cuja renda domiciliar per capita estava no grupo das 25% mais altas do país

Dos alunos que completaram o ensino médio na rede pública, somente 36% entraram numa faculdade. Para os da rede privada, esse percentual mais que dobrou: ficou em 79,2%. Os números foram divulgados pelo IBGE na Síntese de Indicadores Sociais 2018, que destaca as desigualdades de acesso ao ensino na pré-escola e no nível superior.

De acordo com a pesquisadora do IBGE, Betina Fresneda, o Brasil é o país que tem o maior retorno salarial para quem tem nível superior completo entre todos os 36 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que representa grandes economias e do qual o país ainda não faz parte.

Quem tem diploma no Brasil ganhava 2,5 vezes mais do que alguém com ensino médio, enquanto entre os países da OCDE a média era de 1,6 vezes mais. “É uma discrepância que tem a ver com o fato de sermos um país muito desigual”, constata.

DIFERENÇAS – Em 2017, 51,5% dos brancos com ensino médio completo ingressaram no ensino superior. Já entre pretos e pardos essa proporção era de 33,4%. Ter concluído o ensino médio em uma escola privada atenuou as diferenças segundo cor ou raça: a taxa de ingresso dos brancos provenientes do ensino médio privado foi de 81,9% e a dos pretos ou pardos, de 71,6%. “O perfil de renda também é bastante desigual”, aponta Betina. As maiores proporções no nível superior eram compostas por alunos cuja renda domiciliar per capita estava no grupo das 25% mais altas do país.

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