Bancada do PSD critica ministro por excluir partido de projeto 2018

Henrique Meirelles

Apontado como possível candidato à Presidência da República em 2018, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, enfrenta “fogo-amigo” dentro do próprio partido, o PSD.

Deputados da legenda criticam a falta de interlocução de Meirelles com a bancada e dizem que ele erra ao priorizar sua articulação política para 2018 com outras siglas e com o Palácio do Planalto, em detrimento da própria bancada, a quarta maior da Casa, com 38 parlamentares.

“Ao que parece, ele tem deixado para o Planalto a responsabilidade sobre a articulação política. Conversa com os agentes econômicos, mas muito pouco com os agentes políticos”, criticou o vice-líder do PSD na Câmara, deputado Domingos Netto (CE), que deve assumir a liderança do partido no próximo ano.

“Ele deveria conversar mais com a bancada. Não é o partido dele?”, cobra o deputado Julio César (PSD-PI), coordenador da bancada do Nordeste. As informações são de  Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo.

A reclamação vem até mesmo do líder do PSD na Câmara, Marcos Montes (MG). Ele lembra que, em almoço em setembro com o ministro, a bancada combinou com que iria ajudá-lo a se viabilizar como candidato em 2018. Mas Meirelles preferiu “outro caminho”, diz.

“Fizemos um gesto de apoio político, mas ele não usou a bancada para fazer esse caminho que hoje é praticamente um voo solo”, declarou o parlamentar mineiro.

Para o deputado Joaquim Passarinho (PSD-PA), Meirelles erra ao não priorizar a bancada. “No final, quem estará na ponta somos nós da bancada”, diz.

Ele conta que, como parte da estratégia acertada no almoço de setembro, convidou o ministro para participar de uma feira de negócios com empresários em Belém, no último fim de semana. “A assessoria dele não deu retorno até agora”, conta. “Era um centro de convenções lotado. Ele perdeu”, acrescentou.

Passarinho diz que a bancada fez a parte dela, mas Meirelles rejeitou. “Não sei qual é a estratégia dele, mas ele está perdendo a chance de ter 40 deputados a favor dele. Enquanto outros estão procurando os deputados, fomos oferecer ajuda e ele não usou”, declarou.

Para o deputado paraense, Meirelles precisa sair do eixo Rio-São Paulo-Brasília, onde já é mais conhecido, e viajar para outras regiões do País.

O deputado Rogério Rosso (DF) engrossa o coro de críticas sobre a falta de interlocução de Meirelles. “Existe uma distância muito grande entre o pessedista Henrique Meirelles e nossa bancada na Câmara, fruto da própria atribuição de Meirelles como ministro da Fazenda e o reduzido tempo que o ministro tem disponibilizado para nossa bancada para discutir economia e outros temas inerentes ao partido”, disse.

Rosso também criticou a recente entrevista de Meirelles ao jornal Folha de S. Paulo, na qual o ministro criticou o PSDB. Na entrevista, Meirelles disse que a saída dos tucanos do governo “terá consequências eleitorais” em 2018 e que eles não estão comprometidos com a política econômica.

“Não está na hora de o chefe da área econômica do Brasil falar em eleições presidenciais no momento mais delicado do ajuste fiscal, que é a difícil aprovação da reforma da Previdência”, disse Rosso.

Movimentação. Procurado, Meirelles não comentou. Embora diga que só decidirá sobre candidatura em março, prazo final para se desincompatibilizar do cargo para concorrer em 2018, o ministro vem se movimentando para ser candidato.

Ele intensificou agendas de viagens pelo País e de reuniões com aliados políticos fora da agenda econômica, principalmente com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e com políticos do PMDB.

O ministro, que ainda oscila entre 1% e 2% das intenções de votos nas pesquisas, sonha em ser o candidato a presidente da República da frente ampla de partidos de centro-direita que o presidente Michel Temer articula para 2018.

A frente envolveria partidos como PMDB, PSDB, PP, DEM, PRB e PSD. O outro nome do grupo é o do governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), criticado por Meirelles na recente entrevista – crítica combinada previamente com Temer.

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