Em quatro dias, Gilmar Mendes mandou soltar o suposto operador do PSDB e o lobista do MDB

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Inimigo declarado das prisões preventivas da Lava-Jato, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, concedeu habeas-corpus a mais duas estrelas da operação: o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, o “Paulo Preto”, e o empresário Milton Lyra, o “Miltinho”. Souza foi preso por suspeitas do Ministério Público de que ele esteja por trás de ameaças a testemunhas de um processo do qual é réu, e que apura desvio de recursos destinados a famílias desalojadas para a construção do Ro­doa­nel, na gestão do tucano José Serra.

Ao determinar sua soltura, o ministro disse que a prisão configurava “constrangimento ilegal”. No caso de Lyra, acusado de desviar recursos do Postalis, o fundo de pensão dos Correios, o magistrado se limitou a recomendar o cumprimento de medidas cautelares.

Souza é investigado também por arrecadar mais de 100 milhões de reais em dinheiro ilícito para abastecer campanhas do PSDB, além de ser beneficiário de quatro contas na Suíça cujo saldo supera 113 milhões de reais. Já Lyra é apontado como operador de Renan Calheiros e outros senadores do MDB no recebimento de 30 milhões de reais em propina paga pela Hypermarcas. Souza e Lyra, ainda presos, deixaram escapar que uma delação seria destino mais ameno que o cárcere. Há muita gente graúda que reza diariamente pela boa saúde do ministro Gilmar Mendes.

Por Edoardo Ghirotto – VEJA

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