Número de empresas abertas no RN cai de janeiro a abril de 2020

Um ano cercado de perspectivas e mudanças positivas na economia pode ser declarado como perdido antes mesmo do fim. Um dos termômetros que mede o desenvolvimento econômico do Rio Grande do Norte, o registro de abertura de novas empresas na Junta Comercial do Estado (Jucern), tem apresentado dados negativos ao longo de 2020, conforme levantamento exclusivo para a TRIBUNA DO NORTE. O quantitativo de abertura de novos empreendimentos comerciais, de prestação de serviços ou industriais caiu 20% de janeiro a abril deste ano ante período idêntico de 2019. Pouco mais tímido, mas ainda superior ao tabulado no primeiro quadrimestre do ano passado, o encerramento de empresas cresceu 3,71% no Estado no período em destaque.

Conforme a Jucern, esses podem ser os mais novos reflexos da pandemia do novo coronavírus na economia do Rio Grande do Norte. Entre janeiro e abril do ano passado, o percentual de crescimento no registro de novas empresas no Estado foi de 15%. “É preciso lembrar que o ano passado trouxe o maior aumento em dez anos no número de empresas abertas no estado do Rio Grande do Norte. Ou seja, a gente vem de um período de recuperação e que agora está sendo afetado pelo momento atípico que vivemos. A Jucern está se adaptando ao momento de isolamento social, priorizando os serviços digitais e a desburocratização de procedimentos, para apoiar o nosso empreendedor”, destaca o presidente da Jucern, Carlos Augusto Maia.

Pelas ruas da Cidade Alta, um dos principais endereços do comércio de rua na capital, é posível identificar inúmeras lojas que fecharam ao longo dos primeiros quatro meses deste ano, incluindo uma de grande porte do ramo varejista, com filiais em diversas cidades brasileiras. “Essa pandemia é um grande risco para a nossa economia. Ela está atingindo a todos. O Centro (de Natal) vinha com movimento constante. De repente, parou. Já estamos com mais de 50 dias parados. E aí isso começa a complicar. Os empresários não estão mais suportando, pois precisam pagar aluguel, energia, água, folha de funcionários, mercadoria que chegou e que está sem vender. O custo é muito alto e começa a fechar. A Leader fechou e amanhã podem ser outros. Foram demitidas muitas pessoas. Cerca de 30% dos funcionários das lojas. Afeta a nossa economia”, comenta o presidente da Associação Viva o Centro, Delcindo Mascena, proprietário da loja Avohai.

Comparando os números de abertura de empresas entre os primeiros quatro meses de 2020 com o mesmo período do ano passado, é possível perceber o recuo mês a mês. Foram abertas 613 empresas em janeiro de 2019 ante 578 em 2020. Em fevereiro, a queda foi de 632 em 2019 para 579 em 2020. Em março, recuo de 580 em 2019 para 527 este ano. Em abril, a redução mais significativa, visto que, o isolamento social já era uma imposição decretada pelo Governo do Estado: de 640 em 2019 para 285 este ano.

No que diz respeito aos encerramentos de empresas na Jucern, há também uma escala crescente ao longo dos três primeiros meses deste ano em relação ao mesmo período de 2019. Em janeiro de 2020 foram baixadas 513 empresas, contra 425 do ano passado. No mês seguinte, fevereiro, o total de baixas foi de 438 em 2020 ante 421 em 2019. Em março, do ano passado para este, o quantitativo de encerramento aumentou de 333 para 400. Em abril, um leve recuo: 301 em 2020 contra 411 em 2019.
O setor que registrou o maior número de encerramentos foi o de Comércio, com 787 empresas fechadas nos primeiros quatro meses deste ano. Em seguida, o setor de Serviços com 621 baixas e Indústria, com 241.

Alecrim

O fechamento de empresas no comércio de rua natalense não é restrito às lojas da Cidade Alta. No Centro Comercial do Alecrim, a realidade é similar. Conforme o vice-presidente da Associação dos Empresários do Bairro do Alecrim (AEBA), Matheus Feitosa, a pandemia levou ao encerramento de diversos empreendimentos comerciais e de prestação de serviços no bairro.

“Não temos o número exato, mas sabemos de empresas que encerraram as atividades tanto dentro de galerias como nas ruas principais. Mas também tem empresas chegando, as formalizadas e as ainda não formalizadas. Isso porque a gente circula nas ruas e temos essa informação. Mas tem empresas encerrando as atividades e pensam, pós pandemia, voltar ou não.

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