Por que Regina Duarte está fadada a cair

Regina Duarte foi escolhida para ser secretária da Cultura sobretudo porque é uma atriz venerada e respeitada por seus pares. Além disso, aos olhos do presidente Bolsonaro, ela apresentava outras credenciais encantadoras, além do fato de remetê-lo à tela de sua juventude: Regina se dizia conservadora e tinha “medo do Lula”.

Mas esses predicados não têm bastado para livrar a atriz da fritura.

Regina sentou-se numa cadeira importante demais para o bolsonarismo.

E isso ficou claro depois da demissão de Sérgio Moro.

Contrariando vaticínios como o do general Augusto Heleno, o governo Bolsonaro não acabou com a saída do juiz da Lava Jato. Moro foi cuspido ao chão e o apoio ao governo se manteve nos mesmos patamares.

Pior: pela mesma porta por onde saiu o superministro, entrou logo em seguida a turma do Centrão, cujos métodos Bolsonaro prometeu varrer da face da terra. E, de novo, nada aconteceu.

Bolsonaro continua instalado no seu platô de 30% de popularidade porque lidera uma cruzada de costumes. Para os seus seguidores incondicionais, o ex-capitão é a resposta ao ataque que, acreditam, a esquerda perpetrou nas últimas décadas – um ataque destinado a inocular na sociedade o ódio a Deus e à família, além da perversão moral e sexual representadas pela defesa do aborto e da “ideologia de gênero” (na tradução bolsonarista, “querem-que-nossos-meninos-vistam-saia-e-que-todas-as-crianças-virem-trans”)

Nesse sentido, os chamados “ministros da ala ideológica” — Abraham Weintraub, Damares Silva, Ricardo Salles e Ernesto Araújo (e não Sérgio Moro) — compõem o coração do bolsonarismo-raiz, cujos inimigos vão da “turma do PSOL e do PT” até o “papa comunista” e os “generais melancia”, passando pela totalidade dos membros das universidades e do setor cultural.

Regina Duarte pode ter medo de Lula, minimizar a prática da tortura e cantarolar marchinhas da ditadura na TV, mas para se manter no cargo que está, faltou aprender com quantas pedras se faz uma guerra cultural.

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