Proposta de Jucá para financiar campanhas infla verba do PMDB para cerca de R$ 550 milhões

Escalado para preparar o texto do projeto que pretende criar um grande fundo eleitoral para 2018, o líder do governo e presidente do PMDB, senador Romero Jucá (RR), favoreceu seu partido na fórmula de distribuição dos recursos públicos. Desde a proibição das doações de empresas para as legendas, estas passaram a se sustentar e fazer campanha quase integralmente com verbas do fundo partidário, que tem o PMDB apenas como terceiro maior beneficiário.

Agora, para o fundo estimado em R$ 3,5 bilhões para as eleições de 2018, Jucá apresentou uma fórmula que fará do PMDB o maior beneficiário, de longe, dos recursos. A minuta da proposta foi apresentada na quinta-feira, mas só deve ser protocolada na terça-feira. O senador deseja que ela seja votada já no mês que vem, segundo informações de O Globo.

Se levadas em conta as bancadas atuais na Câmara e no Senado, a nova regra transformará o PMDB no maior beneficiário de longe dos recursos do novo fundo, ficando com 15,7% do total, muito à frente dos demais partidos: PT, o segundo maior beneficiário, ficaria com 10,8% e PSDB, com terceiro, com 9,5%. Isso significa que, se for confirmado o montante total de R$ 3,5 bilhões para o fundo, caberá ao PMDB cerca de R$ 550 milhões, ante cerca de R$ 380 milhões para o PT e cerca de R$ 330 milhões para o PSDB.

Essa diferença se dá porque hoje, após várias mudanças ocorridas ao longo da legislatura, o PMDB tem a maior bancada da Câmara, com 64 deputados, seguido pelo PT com 58, PP com 47 e PSDB com 46. E, ainda mais relevante: o PMDB têm 22 senadores, mais que o dobro da segunda e terceira maiores bancadas: PSDB, com 10, e PT, com 9. O PMDB, no entanto, não é o único beneficiado pela nova fórmula. Entre os dez maiores partidos, PP, DEM, PR, PSB e PSD também aumentaram sua fatia no bolo de distribuição. Já PTB e PRB saíram perdendo, como petistas e tucanos.

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