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Representantes de igrejas destacam ajuda espiritual e social cristã na pandemia

O papel social e espiritual da Igreja durante o período da pandemia foi tema de audiência pública que aconteceu nesta segunda-feira (20), na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. A proposição foi iniciativa do mandato do deputado estadual Jacó Jácome (PSD), contando com a participação de autoridades eclesiásticas e representantes de igrejas católicas e evangélicas do Estado.

Como aponta o parlamentar propositor da audiência pública, Jacó Jácome, o mundo se deparou com uma pandemia causada pela Covid-19 na qual, além da questão de saúde, a vida cotidiana das pessoas foi drasticamente alterada. O medo do sofrimento e da morte foi potencializado.

“Respeitar as medidas de isolamento e outras regras sanitárias ajudaram a salvar vidas e as igrejas também respeitaram essas ações, mas, sem deixar de lado as suas atividades de auxiliar a sociedade com responsabilidade. A pandemia acentuou a crise social já existente, pastores e líderes religiosos muitas vezes ajudaram a salvar vidas. A arrecadação de doação, ofertas, serviços ou ações de cidadania promovidas pelas igrejas foi um alento para diversas pessoas. Além disso, mediante tamanha perda que as pessoas têm sofrido nesse momento de pandemia, a igreja tem sido um lugar de acolhimento e uma forma de evitar outros males em decorrência das pressões e da ansiedade sofridas pelas pessoas”, alertou Jacó Jácome.

“É preciso que as autoridades olhem com mais atenção para as igrejas, pois elas operam com políticas públicas também e contribuem para o seu fortalecimento e cumprimento, fomentando assim suas ações direto com a população”, destacou.

Entre os convidados a falar sobre o tema esteve o coordenador das campanhas da Arquidiocese de Natal, padre Robério Camilo, que atua em Mãe Luiza há cerca 13 anos. “No período da pandemia de fato foi um grande desafio no bairro e na arquidiocese como um todo. Nossa plataforma básica é o evangelho, é o mandamento do amor e, no nosso mundo cristão, no período da pandemia, nós católicos procuramos colocar em prática a pedagogia do bom samaritano. Havia uma necessidade muito grande de pessoas que precisavam ser cuidadas e ao mesmo tempo existia a prudência de ficar em casa. Tivemos então que nos reinventar, cuidar de longe da espiritualidade, através das lives, de mensagens e evangelização não presencial, e tivemos que focar em campanhas para cuidar dos necessitados”, contou.

“Nesse período, o Papa Francisco convidou a humanidade inteira para se reconhecer como irmã, fortalecendo a fraternidade universal. Nós fortalecemos muito o diálogo com o diferente, com o sofredor, de modo que estamos colhendo e refletindo sobre o legado que vai ficar a partir dessa pandemia. A nossa preocupação daqui para frente é a saúde mental, é o processo de desconfinamento. Essa responsabilidade é de todas as igrejas, é uma missão comum. E uma grande pandemia constante no nosso meio se chama a fome. Neste período, a cortina da fome caiu de uma maneira mais rápida e tivemos que ter ações para cuidar das pessoas. Ainda estamos vivenciando esse cuidado em diversas campanhas”, completou.

O pastor da Igreja Presbiteriana, José Romeu, que também participou da audiência pública, lembrou que o papel social da igreja está dentro da Constituição do Brasil. “Não podemos pensar que iremos fazer ações, independentemente de qualquer movimento social, longe da estrutura do Estado. Ao fazermos ações sociais, nós estamos reconhecendo que somos o Estado brasileiro, que necessita da participação privada e religiosa, porque o Estado em si não tem toda condição para suprir as necessidades da cidadania de forma digna. Por isso é que estamos sempre tendo o lastro do evangelho para fazer tais coisas. O Estado sozinho não consegue manter uma nação, existe uma unidade e a igreja é essa luz de catalisação na espiritualidade e no social. Enquanto tiver um pobre sem comer, a igreja deve lutar pelo social”, defendeu.

O pastor da Igreja do Povo no Rio Grande do Norte, Alex Moreno, opinou que a Igreja precisou em algum momento se reposicionar diante do seu papel, “até porque se a Igreja não cumpre o seu papel fazendo a diferença na vida das pessoas que a rodeiam, ela não cumpre aquilo que Jesus nos outorgou a fazer”, disse.

“Nós, da Igreja do Povo, temos procurado atender a um número máximo de famílias, estendendo a mão para o alimento e para a esperança que está em Jesus. Acredito eu que esse tempo tenha sido um tempo em que a Igreja tenha desenvolvido muita coisa que estava parada e que foi acesa novamente. Nós temos um programa que atende mensalmente 100 famílias com cesta básica, assim também como semanalmente estamos distribuindo 1 mil refeições, toda segunda-feira, nas ruas da nossa cidade, procurando minimizar o sofrimento dessas pessoas”, contou.

O presidente da Igreja Evangélica Quadrangular do Rio Grande do Norte, reverendo Adriano Alves também enfatizou que a Igreja cristã teve uma participação essencial durante este período de pandemia. “A Igreja Quadrangular tem um trabalho de ação social em todo Brasil. Em vários momentos em que a igreja foi acionada, ela fez questão de ajudar. Muitos recursos, que poderiam ser utilizados para amenizar a dor dos que sofrem, infelizmente são desviados, e isso acaba prejudicando o assistencialismo e aí é que entra a igreja, como uma luz para aqueles que precisam. Mas eu acredito que a percepção de Cristo não foi apenas a percepção material, as pessoas precisam de direção para suas vidas. Essas duas demandas sempre irão existir, a demanda social e a espiritual”.

O representante da Igreja Assembleia de Deus Bom Refúgio e do Projeto Semear, o evangelista Boanerges Figueiredo, declarou que as pessoas se sentiram com medo da morte, de perder algum parente ou amigo e a Igreja se levantou para tomar uma posição, mas, “muito mais do lado espiritual, porque as pessoas ficaram abaladas. A igreja teve que se reposicionar para que as pessoas pudessem ter alento de que tudo aquilo iria passar”.

Sobre a participação social, ele informou que o Projeto Semear criou uma estratégia, que se chama Caixa do Bem, colocada em vários condomínios e comércios da cidade, onde as pessoas poderiam doar alimentos. “Foi como estratégias como essa que conseguimos aplacar a fome de muita gente”, destacou.

O pastor presidente da Igreja Casa da Bênção no RN, Juarez Martins, falou que a igreja lutou muito para não ficar fechada, porque ela que tinha o ímpeto de socorrer as pessoas. “Acredito eu que, no Brasil e no mundo, a Igreja cristã foi uma das que mais atuou nessa área, exercendo seu papel social e espiritual. Nós temos um trabalho muito especial que muitas vezes não é visto. Resgatar os drogados, por exemplo. A igreja cristã possui uma rica tradição de cuidado e suporte a pessoas em meio a momentos críticos e crises da vida, porque ela é firmada na fé em Cristo”.

O pastor disse que, no RN, a igreja que ele representa distribuiu peças de roupas novas e usadas, 700 cestas básicas, 800 cortes de cabelo, sopão para mais de 2 mil pessoas, brinquedos para mais de mil crianças, vasto material de higiene e limpeza, livros usados, fraldas descartáveis, frutas, atendimento dentário com flúor para as crianças. “As pessoas deveriam deixar de ter má impressão da Igreja cristã, essa audiência é importante para que todos vejam e reconheçam o que é feito, muitas vezes sem holofotes”.

O pastor Abel Moreno, representando a Assembleia de Deus no RN e o Centro Integrado de Assistência Social da Assembleia de Deus, contou que a igreja foi direcionada para três ações: “comprometer-se com os Decretos do poder público, para cumprir as normas estabelecidas; implantar o Projeto IADERN solidária, para atender aqueles em situação de vulnerabilidade; e mergulhar no uso da tecnologia para cuidar espiritualmente dos nossos irmãos e irmãs”.

“Essas 3 diretrizes foram estabelecidas na nossa igreja. Não foi fácil poder liderar esse processo de conscientização desse novo modelo de ação da igreja, tanto no aspecto espiritual como no social, mas elas foram implementadas. Assim, conseguimos agregar os irmãos nos ambientes virtuais e levar o que era necessário no momento de extrema crise. Conseguimos atender mais de 40 mil famílias, arrecadar e distribuir aproximadamente 400 toneladas de alimentos em todo o estado, medicamentos, kits de higiene e limpeza, máscaras, leite, pão, sopão, entre outras ações, de forma coordenada, firme, mas com propósito, enquanto reino de Deus, de fazer a diferença. Não tínhamos muito, mas estamos até hoje conseguindo manter ações importantes”.

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